Vida e Destino de Vassili Grossman é um depoimento dos acontecimentos
da Segunda Guerra Mundial. Diferente de “Guerra e paz” do tal aclamado Tolstoi,
pois Vassili participou diretamente como correspondente da batalha.
Nascido na Ucrânia em 1905, mudou se para Moscou em sues vinte anos e acaba
sendo protegido de Maxim Gorki. Durante a Segunda Grande Guerra, trabalhou para
o Jornal “Estrela Vermelha” EM seu papel de repórter e foi testemunha do cerco
de Stalingrado e a derrota definitiva da Alemanha no território Russo. “Vida e destino”
foi impedido de publicar o seu livro; seu pequeno apartamento foi visitado pela
polícia e foi revistado à procura de cópias do livro. Mas por qual motivo tão
ferrenha perseguição? O livro contem algumas críticas ao governo do Stalin. Ao
se encontrar Suslov, ideólogo do partido, ele diz: “Nós não vamos discutir com
você sobre a Revolução de Outubro, que foi muito boa para URSS. Quanto ao seu
livro, ele não poderia ser publicado nos próximos trezentos anos”.
Mas qual é o enredo? Viktor Chtrum é um físico brilhante
casado com Liudmilla Chápochinikov e tem uma filha, Nadia. Viktor Chtrum e sua
família foram evacuados de Moscou para Kazan, que passam por grandes
dificuldades com o seu trabalho como pesquisador. Em seguida, ele recebe uma
carta de sua mãe, que a enviou de dentro de um gueto judeu, informando-o de que
ela está prestes a ser morta pelos alemães. Tal carta vale muita pena ser lida,
no romance anterior, “Stalingrado”, apenas
cita tal carta. Viktor começa a nutrir um rancor por Liudmila, pois foi ela que
impediu sua mãe de morar com eles e se salvar da morte. Ludmilla tem um filho,
Tólia, do seu primeiro casamento com o tenente do exército Abartchuk, que
encontra-se preso em um campo de concentração russo. Tólia, que também é do
exército, morre por causa de ferimentos de guerra em Stalingrado antes de a mãe
chegar ao hospital.
A vida de Viktor se reflete em algumas experiências do autor.
Alguns dizem que é o alter ego do mesmo. A história gira em torno da família Chápochinikov
e alguns momentos pula para o exercito alemão, misturando pessoas reais com pessoas
fictícias. Diferente do livro anterior, este traz esperança, não ficamos com ar
melancólico e sem esperança ao lê-lo. O livro é perfeito. Fala da perseguição
infligida pelo exercito vermelho, o pavor de ser mandado para algum Gulag por
ser “inimigo do governo”, é muito bem escrito e fácil de ler. Mas como todo
livro russo, precisamos ficar atento aos nomes e nisto o livro trás no apêndice
os nomes dos personagens da história e seu núcleo. Com mais de 900 páginas, é
comum nos confundimos. Tem momentos bem interessantes como quando Stalin liga
para Viktor; o romance de Vera, a resistência da casa 6/1. Uma das melhores
leituras deste ano.

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